domingo, 31 de julho de 2016

O cortiço - Aluízio Azevedo

Livros naturalistas são grandes achados. Divertidos. Engraçados. Tocantes. Nojentos. O livro de Aluízio Azevedo é o melhor livro naturalista escrito em língua portuguesa, o que não é pouca coisa. O Cortiço conta a história de um monstro que se auto nutre, produzindo o que alimenta, defecando o come e consumindo as próprias fezes. Triste do começo ao fim. Engraçado também. Revoltante também. É um livro de leitura obrigatória nas aulas de literatura no Brasil, mas bem que poderia ser proibido nas escolas; quem sabe assim a molecada não percebe quanta sacanagem de excelente qualidade se esconde nestas páginas. Excelente leitura!




Eneida - Virgílio

Quando dizemos que somos latinos, em alguns lugares do mundo isto pode soar de forma pejorativa. Nada tão errado. Nos Estados Unidos, por exemplo, em que os latinos são vistos, por muitos, como cidadãos de segunda classe. Os latinos são os descendentes diretos do Império Romano, é óbvio que o nosso mundo contemporâneo é moldado em partes dos escombros deste grandioso império. E deste povo, do qual descendemos, há uma epopeia encomendada pra ser o maior dos cantos, escrito pelo maior dos poetas de seu tempo: Virgílio. A Eneida conta a história da fundação de Roma descendentes dos sobreviventes da cidade de Troia. O grande herói é Eneias que escapa da noite de terror pós cavalo de Troia e vive vários entreveros: amores, viagem ao mundo dos mortos, duelos, desgosto de deuses. Tudo com o intuito de enaltecer o maior dos impérios da antiguidade, com um poder que proporcionalmente nenhum outro alcançou.



sexta-feira, 29 de julho de 2016

O grande Gatsby - Scott Fitzgerald

Resultado de imagem para o grande gatsby livroSempre que se procura alguma informação sobre a obra prima de Fitzgerald o que se encontra é muita informação sobre a era do Jazz, as grandes festas na casa desse tal Gastby e as dúvidas em relação a quem é o homem responsável por tantos exageros. Pois é isso e muito mais. A meu ver é um livro sobre vingança, uma vingança urdida em meio a anos e anos de muita inveja. Sim. A inveja de um homem que precisava mostrar para toda a sociedade (incluindo a aí a mulher que ele ama) que poderia ser muito mais que eles, mesmo que esse mais fosse reduzir-se ao nível dos piores seres da terra. Ou não tão piores, apenas pessoas desesperadas gritando no entre guerras. Enfim, quando leio este livro me lembro do meu avô dizendo que criança quando passa o dia sorrindo chega à noite chorando. Bem isso. Excelente livro!





Hamlet - William Shakespeare


A profundidade da alma humana contida num personagem. Hamlet é mais que uma história de vingança, mais que uma desilusão amorosa (pobre Ofélia), muito mais até que o próprio Shakespeare. O príncipe da Dinamarca recebe uma mensagem do além túmulo, o fantasma de seu pai quer vingança. O irmão do morto matara-o e além de usurpar o trono casou-se com a rainha. OU antes, casara com a rainha para tomar o trono, com o corpo e a cama ainda quentes. Será possível? Será possível ver um espírito? Não o do finado que aparece em formado espectral logo nas primeiras cenas, mas o espírito de Hamlet, que vai se turvando cada vez mais ao longo das cenas, dos atos. Até o final fatal, maravilhoso, cruel, mortal e nada surpreendente. Ótima leitura!







Grande sertão veredas - João Guimarães Rosa

Não vou mentir pra ninguém que seja um livro fácil, acredito que nem fora a intenção do autor ao escrevê-lo, se bem que falar de intenções em literatura não seja muito acadêmico. É sim um livro complicado, porém se você deixar-se levar e for cada vez mais longe, deixando-se ir por estas veredas, caminhando nos percalços de Riobaldo, topará com um dos melhores e mais profundos livros livros da literatura mundial. Daqueles que se levam pela vida. Daqueles que se tem orgulho de ter lido. Dos que se recomendam em círculos de leitura, ou aos filhos, aos netos. Dos que se comentam toda vez que se tem a oportunidade. E o demônio existes mesmo? No mais, a travessia. Excelente leitura!






O falcão maltês - Dashiell Hammett


Ok, tudo bem, eu gosto um tanto de Holmes - super detetive, e também me divirto com outro detetive britânico, o Poirot da Agata Christie, mas o meu favorito é mesmo Sam Spade, do Falcão maltês. Ele, por vezes, parece ter as habilidades mágicas dos seus companheiros do além Atlântico (Hammett é americano), mas desce do salto, diz palavrões, mente, engana, transita por um mundo de vigaristas, proxenetas, extorsões,  o crime organizado mais comezinho. Sim, acho que você já viu isso em algum lugar, como em séries de detetives, filmes de Hollywood e por aí vai; mas o original neste gênero é o Falcão maltês. Que no cinema ganhou até um gênero próprio conhecido por cinema noir. Um homem está sozinho em seu escritório, é um detetive, a placa com seu nome aparece de relance apenas o suficiente pra ler seu nome, uma mão feminina bate na porta; lá dentro um homem de camisa branca, suspensórios e cigarro aceso no canto da boca escutam a batida... delicioso. Excelente leitura!



Pigmaleão - George Bernard Shaw


Bernard Shaw pegou uma história da mitologia e transformou-a em um linda história de amor. No Pigmaleão mitológico temos uma estátua esculpida por este na tentativa de criar a mulher perfeita, no texto de Bernard Shaw há uma florista sendo transformada pela educação por um personagem que não está interessado na busca pela mulher ideal, apenas quer provar que conseguiria educar alguém do povo. Não é surpresa a ninguém quando depois da transformação realizada o criador cai de amores pela criatura. Hoje parece óbvio e um tanto batido, mas Shaw, ao buscar raízes mitológicas para sua criação literária, estabeleceu um novo paradigma que se repete até hoje em filmes, peças, novelas e séries de TV. Bom livro!

http://www.desvendandoteatro.com/textosclassicos.htm#932287227


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mixto Quente - Charles Bukowski



Você escolhe um livro pra ler e se depara com a história de um moleque babaca e cheio de espinhas, mas não qualquer espinha. Furunculos enormes na cara, ajudando a moldar sua personalidade. Por vezes as questões se aprofundam, a virgindade é um grande problema, outras o simples contato com as pessoas "caminhando com seus sovacos e cus" ou as meninas bonitas de longe, mas que não valem dez minutos de uma boa conversa. O livro é narrado em primeira pessoa, podia muito bem não haver um personagem bêbado nos relatando tudo isso. O alter ego do escritor, por vezes, nem faz questão de se esconder, ou se disfarçar: Bukowski é um personagem de si mesmo.





http://charlesbukowskipdf.blogspot.com.br/


Otelo - William Shakespeare


Resultado de imagem para oteloUma história de inveja. em grau elevadíssimo, mas também uma história sobre como as mulheres levam os homens à perdição de sua virtude. Desde Eva é assim. A serpente aqui chama-se Iago, invejoso da posição de Otelo começa a incutir neste a desconfiança quanto à moral de sua amada Desdemona. A genialidade de Shakespeare aparece em todos os pontos deste texto teatral: personagens, espaço, enredo, clímax. Tudo nos leva a sentir junto com otelo sua desgraça. Quem no lugar dele não acreditaria? Quem não? Excelente livro!




http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/otelo.pdf






Madame Bovary - Gustave Flaubert

Resultado de imagem para madame bovaryA uma mulher entediada com o casamento o que resta? Quem disse trair está com a razão. Embora muitas outras respostas caibam para tal pergunta o livro em questão trata do tema adultério. E é um dos mais famosos chifres da história da literatura. O marido da Senhora Bovary é um tremendo de um banana, nada nele a apetece, porém é necessário salvar as aparências. Como fazer pra se livrar do julgamento social, muito mais relevante nesta obra que o julgamento conjugal, feito pelo marido, no núcleo doméstico. Os excessos do romantismo são o grande alvo, excessos que ainda nos ronda tornando o livo de Flaubert tão atual hoje quanto foi na ocasião de sua publicação.







A revolução dos bichos - George Orwell


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Há livros que conseguem o que este conseguiu. São raros, mas existem. Falo de um tipo de obra em que cada palavra é tão fundamental, cada personagem tão bem construído, cada ação tão pormenorizadamente posta que parece ter sido fácil escrever, porque o ler definitivamente é. E é impossível sair deste livro da mesma forma que entrou. "São todos, porém alguns são mais iguais que os outros". No enredo que mostra como as revoluções tomam o o poder e o converte em proveito próprio. A fazenda da história é uma grande fábula de crítica ás revoluções de posicionamento marxista como a Russa e como a cada novo movimento do poder estabelecido o afastamento dos ideários ficam mais evidente. Melhor que tentar explicar o Brasil pós 2002, ler a "Revolução dos bichos" e trocar o personagem Napoleão por um certo senho de barba.